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Sílvia Alves
23 Jul 2018

Sílvia Alves, a análise à experiência como formadora na Academia APAN

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Sílvia Alves, copywriter há mais de 15 anos e actualmente a colaborar com agências multinacionais de Transcriação e Localização em campanhas de publicidade de várias marcas de dimensão global, fala da sua experiência enquanto formadora na Academia APAN, e da importância da produção de conteúdo de qualidade.

“Foi muito interessante perceber a perspectiva de quem geralmente aprova o trabalho dos criativos. Já tinha dado formação a futuros criativos, mas esta experiência na APAN foi um desafio diferente e muito cativante”, diz Sílvia Alves, a propósito da formação que deu recentemente sobre Copywriting Para Diferentes Meios.

A copywriter explica que dar formação na APAN, em particular, proporcionou-lhe a oportunidade de partilhar o seu conhecimento e experiência com os Anunciantes e trocar e insights com aqueles que estão, quase sempre, do “outro lado” do ofício da Publicidade. Esta experiência permitiu-lhe, acima de tudo, e de uma forma “extremamente enriquecedora, perceber as expectativas e a visão do Cliente, acabando por aprender muito, também”.

Numa outra perspectiva, esta experiência permitiu-lhe compreender melhor ainda o seu trabalho de copywriter, assim como aprimorar as suas competências e entendimento da profissão, o que depois, naturalmente, se virá a refletir nas formações futuras.

“É ao ensinar que realmente se aprende verdadeiramente sobre aquilo que se ensina”, diz Sílvia Alves. “Todo o processo que implica analisar, sistematizar e traduzir aquilo que sempre sentiu como uma vocação natural que evoluiu para uma competência desenvolvida ao longo de anos de prática profissional, com uma grande componente de sensibilidade, toda a casuística da prática quotidiana e mais umas quantas técnicas básicas, para depois explicar tudo isso a outrem, é um quebra-cabeças monumental, mas ao mesmo tempo uma experiência absolutamente enriquecedora e fascinante, e um desafio que sabe bem ultrapassar.

Quando questionada sobre a importância da criação de conteúdo de qualidade, a formadora refere que “o conteúdo de qualidade molda a qualidade da comunicação, molda o emissor e o recetor, dependendo obviamente de um canal de qualidade, refletindo-se assim na qualidade dos resultados dessa comunicação”.

Sílvia Ribeiro Alves explica que ao elevar-se a fasquia de exigência de qualidade, estimulando e valorizando a inteligência e sede de conhecimento do público, disponibilizando-lhe bons conteúdos, o público irá aderir e, naturalmente, passará a esperar e exigir conteúdos de melhor qualidade e relevância.

“Por exemplo, vimos a maioria dos jornais passar de broadsheets de referência a catálogos de anúncios, as reportagens de fundo a serem cada vez mais raras ou terem menos espaço e eco, as notícias deixam de abordar o porquê, apenas para referir quem, quando e o quê, e os reality shows e as notícias cor-de-rosa tornarem-se mais proeminentes no espaço mediático. Com isto, o público também deixa de questionar, e a sociedade embrutece e aceita tudo o que lhe é ditado, mesmo que injusto ou ilegal. Hoje, os conteúdos informam vendendo, o que faz com que a informação já não o seja, na sua forma pura. Hoje em dia, tudo é propaganda ou publicidade. Tudo tem uma intenção e uma estratégia. Jamais, a consciência cívica e o sentido ético de quem trabalha em comunicação foi mais gritantemente importante e necessária.”

E quando olhamos para os meios de comunicação, Sílvia Alves reflete: “quando o objetivo é comunicar com alguém, terá sempre de se abordar um assunto que vá de encontro ao interesse do interlocutor, que o ajude ou beneficie de alguma forma. Se houver insistência num discurso básico e nada desafiador, com pouco ou nada a oferecer, muito rapidamente se perderá o interlocutor. Quantas pessoas ouvimos hoje dizer que não leem jornais e não veem televisão? Foram dois meios que se perderam porque perderam qualidade, logo perderam audiência (ou só a têm pontualmente). Entretanto, surgiram as redes sociais. Toda a gente cria o seu próprio conteúdo, e as marcas têm agora de competir com milhões de outros produtores de conteúdo. É uma torre de Babel.

Na opinião da formadora, “há cada vez mais gente a desiludir-se com as redes sociais, a hipnose dos smartphones e a buscar alguma paz intelectual. As marcas que conseguirem, e algumas conseguem-no muito bem, oferecer essa paz, serenidade e solidez nas mensagens e conteúdos, terão a atenção e a fidelidade do público. O mercado terá de voltar a elevar a fasquia, a regular o discurso e reduzir o ruído — para que se possa voltar a gerar conversas interessantes, envolventes, com gente informada e que se informa e que, por sua vez, estimula os produtores de conteúdos e agentes da comunicação a produzir cada vez melhores conteúdos.

A exigência de qualidade na comunicação é uma espiral que pode ser ascendente ou descendente — a bem da sociedade, é bom que seja ascendente.

É um pouco isso que tento transmitir nas minhas sessões de formação.”

 

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